O que não dizer na entrevista de emprego...



É preciso tomar cuidado para não passar impressões erradas aos futuros empregadores

*Em uma entrevista de emprego, perguntaram-me por que eu pretendia largar a empresa em que trabalhava. Listei vários fatores negativos. Percebi que, depois disso, a conversa esfriou e a entrevista acabou em três minutos. Ser sincero? e criticar o atual emprego? é um pecado para quem deseja se recolocar?*

Ao contrário do que parece, a pergunta do entrevistador nada tem a ver com sua empresa atual e tudo a ver com situações que você encontraria na nova empresa. Muito provavelmente, a conversa esfriou porque o entrevistador sentiu que você poderia ter, no novo emprego, reações negativas parecidas com as que você tem no emprego atual. A melhor resposta seria que você mudaria porque enxerga mais oportunidades na nova empresa. Ou seja, você quer trocar o bom pelo melhor. As críticas que você fez passaram ao entrevistador a impressão, mesmo que incorreta, de que você quer trocar o ruim por qualquer coisa.

*Quando as empresas voltarão a contratar? *
Os 16 países que adotam o euro na Comunidade Europeia têm uma população somada de 332 milhões de pessoas. Dessas, 158 milhões trabalham, e o índice de desemprego em maio de 2009 foi de 9,5% ? 15 milhões de desempregados. Nos últimos 12 meses, 3,4 milhões perderam seus empregos ? um em cada 46 trabalhadores. Segundo dados do Dieese, a região metropolitana de São Paulo tem 19,2 milhões de pessoas, das quais 10,6 milhões trabalham. O índice de desemprego em maio de 2009 foi de 14,8%, bem mais alto que na Europa do euro, e corresponde a 1,6 milhão de desempregados. Porém, ainda segundo o Dieese, nos últimos 12 meses a taxa de desemprego cresceu apenas 0,8% ? um em cada 126 trabalhadores ficou sem emprego ? três vezes menos que na Europa. Em um ano foram reduzidos apenas 84 mil postos de trabalho para um contingente de 10,6 milhões de empregados. É claro que ocorreram demissões por aqui, mas elas ganharam muito mais espaço na mídia que a reposição de vagas. O aumento mínimo da taxa de desemprego no Brasil não é suficiente para justificar uma crise, ao contrário do que ocorre na Europa. Portanto, as empresas estão contratando. As vagas podem não corresponder às expectativas de muitos profissionais, e muita gente boa está de fato desempregada. Mas essa situação existia antes da eclosão da crise mundial. Há 12 meses, quando tudo parecia ir de vento em popa, tínhamos 1,5 milhão de pessoas sem emprego na região metropolitana de São Paulo. Hoje, temos 1,6 milhão. Bom não é. Mas, comparativamente, não é nada assustador.

*Sou executiva, casada há cinco anos e estou pensando em engravidar. Compartilhei essa intenção com meus superiores, e eles não gostaram da ideia, apesar de eu afirmar que a criação de meu filho não vai atrapalhar minha carreira.*

De coração aberto, eu lhe sugiro esperar mais um pouco, até que você possa inverter a frase e afirmar com convicção que sua carreira não vai atrapalhar a criação de seu filho.

MAX GEHRINGER
*é especialista em carreiras e empregos e autor de dez livros sobre o mundo empresarial.

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